Nos Estados Unidos, os imigrantes brasileiros somam cerca de 1,2 milhão, segundo estimativas do Ministério das Relações Exteriores. É a maior comunidade de brasileiros fora do Brasil. Nos últimos meses, esse número está caindo. "Acho que o momento está bastante difícil. Várias pessoas estão desistindo", conta o carioca David Espíndola, 44 anos, 25 deles morando na América.
Segundo ele, o movimento de volta começou no final de 2007, com a crise do subprime (crise das hipotecas), piorou no início de 2008, com desvalorização do dólar. Atingiu o ápice com o arrocho da imigração. "Começaram a ir atrás dos ilegais. O pessoal que não tem documentação fica com medo", diz David, que é formado em engenharia e administração de empresas e trabalha com informática.
Há 12 anos, ele vive na região metropolitana de Minneapolis, no estado de Minnesota. Em janeiro de 2008, lançou o site Brasileiros nos Estados Unidos, voltado para os conterrâneos. David lembra que existem grandes comunidades de brasileiros vivendo nas regiõesde Boston, Newark (próxima a Nova York), Sul da Flórida. "Algumas pessoas não gostam do local delas ser invadido por imigrantes. Existe uma certa discriminação".
Segundo David, algumas cidades estão aprovando leis que restringem a compra de casas por ilegais, por exemplo. No estado da Flórida agora é vetado aos turistas a emissão de carteira de motorista, artifício muito usado pelos ilegais para garantir a locomoção (e um emprego). David acredita que a eleição de Barack Obama deve mudar um pouco as coisas. "Ele é filho de imigrante. Passa uma mensagem muito importante".
Intercâmbio - A estudante pernambucana Raquel Vieira, 20 anos, estava nos Estados Unidos durante a posse de Obama. Tinha viajado em 13 de dezembro dentro de um programa de intercâmbio. Deveria passar quatro meses. Não chegou a completar dois. Voltou no último domingo. Os problemas começaram na véspera da viagem. "Eu iria para o Texas e recebi um e-mail do empregador dizendo que não tinha mais a vaga".
Raquel trabalharia em uma loja de cosméticos. Acabou indo parar em Vermont, na fronteira com o Canadá (o Texas fica no Sul, fazendo fronteira com o México). Depois de uma semana em busca, conseguiu emprego em um resort. A felicidade durou pouco. "Depois do ano novo, disseram que só iriam precisar de mim nos fins de semana. Recebia US$ 8 por hora. Não compensava. Todo mundo só falava em crise". (T.N.)
Saiba maisO impacto da crise no emprego
Segundo a OIT, existem em todo o mundo cerca de 100 milhões de trabalhadores imigrantes. A maioria fugiu da pobreza em seus países de origem
A crise pode provocar este ano o fechamento de 50 milhões de postos de trabalho, elevando para 230 milhões o número de desempregados em todo o mundo
Em 2007, a taxa global de desemprego foi de 5,7%. Subiu para 6% no ano passado (dados preliminares). O agravamento da crise pode fazer com que a taxa atinja 7,1% em 2009
Na Espanha há 3,3 milhões de pessoas desempregadas. Na construção civil, um dos setores mais atingidos pela crise, o desemprego dobrou nos últimos 12 meses. O país entrou oficialmente em recessão
Na Europa, as montadoras estão anunciando demissões por conta da redução da demanda (na Islândia, apenas 170 veículos novos foram vendidos em janeiro). A francesa Ranult, por exemplo, anunciou o corte de 9 mil empregos esta semana
Em um único dia, 26 de janeiro, grandes empresas dos Estados Unidos anunciaram o corte de maisde 50 mil vagas.
O desemprego em janeiro nos Estados Unidos ficou em 7,6%. Foi o nível mais alto desde setembro de 1982. O crescimento é maior entre imigrantes hispânicos
Na Rússia, cerca de 40% dos empregados da construção civil são provenientes dos ex-países da União Soviética, que agora temem ser demitidos
Esta semana, trabalhadores da Grã-Bretanha realizaram protestos contra a contratação de estrangeiros no atual momento de crise na região. A taxa de desemprego está em 6%
Fontes: OIT, Pew Hispanic Center, Companhias