O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, embarcou ontem para Brasília com a missão de entregar ao presidente Lula (PT) uma pesquisa encomendada pelo PSB ao Ibope. O resultado do levantamento reforça a tese do deputado federal Ciro Gomes (PSB) de que a base governista deve ter mais de um candidato em 2010. Segundo os dados, no caso de Ciro não disputar a Presidência da República, a maior parte dos votos dele iria para o PSDB e não para a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome do PT para a sucessão de Lula.
A pesquisa, publicada na coluna de Denise Rothenburg, do Correio Braziliense, que também faz parte dos Diários Associados, foi feita tendo como base um provável confronto entre Dilma e o governador de São Paulo, José Serra, ou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, ambos do PSDB. Sempre que fala da campanha presidencial do próximo ano, Ciro Gomes tem alertado os aliados para a importância dos partidos de esquerda enfrentarem a oposição com mais de um nome. Na avaliação dele, e de outros integrantes do partido, a estratégia daria aos governistas maiores chances de levar a disputa para o segundo turno, caso a candidatura de Dilma não tenha o desempenho esperado pelo presidente Lula.
Os dados da pesquisa do Ibope mostram que a transferência dos votos de Ciro para o PSDB ficaria em torno de 9%. Ao ser abordado sobre o assunto, logo após participar de um evento promovido pelo Grupo de Executivos do Recife (Gere), em Boa Viagem, Eduardo disse que ainda não tinha lido da pesquisa. Ele, no entanto, negou que o objetivo do PSB tenha sido analisar, exclusivamente, o quadro eleitoral da campanha presidencial sem a presença de Ciro Gomes. "Cheguei muito tarde da viagem (para Quipapá e Tabira, na última quarta-feira). Não tive tempo de ler. Vou fazer isso agora no avião (para Brasília)", ponderou o socialista.
De acordo com o governador, o PSB tem um contrato trimestral com o Instituto Ipsos, e a intenção do partido, inicialmente, era fazer uma pesquisa em nove estados onde ossocialistas terão candidatos próprios para governador e o Senado. "Como o Ipsos não faz esse tipo de trabalho, resolvemos contratar o Ibope, que sugeriu que a pesquisa fosse feita nacionalmente", afirmou o governador.
"A pesquisa foi feita num cenário com Ciro, sem Ciro. Com Aécio, sem Aécio. Com Serra, sem Serra. Enfim, com todos os cenários que você pode imaginar. Então, quando você tira Ciro, tem de saber para onde vão os votos dele. Para onde vão os votos de Aécio, de Dilma, de Serra", enfatizou. Eduardo disse que também vai entregar o levantamento ao ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro. "Na verdade, essa pesquisa é um instrumento de trabalho", analisou o governador.