Um acordo entre a CBF e a Liga dos Clubes de Futebol do Nordeste (LCFN) vem sendo costurado para reeditar o Nordestão ainda neste ano. Desde 2003, a liga luta na Justiça por uma indenização de R$ 15,2 milhões junto à CBF, que tirou a competição do calendário oficial naquele ano, alegando falta de datas, mesmo com os contratos de patrocínio assinados pelos times da região. Como a liga já ganhou nas duas primeiras instâncias (o caso corre agora no STJ), a CBF acenou com uma solução para o imbróglio. Para não pagar o valor pedido pelos 16 membros fundadores, a entidade autorizaria a competição pelos próximos três anos. Ontem à noite, após reunião extraordinária da liga em Natal, 11 dos 16 clubes fundadores compareceram e deram sinal positivo para a ideia proposta. Agora, os departamentos jurídicos das duas entidades deverão se reunir ainda neste mês para selar a volta do Campeonato do Nordeste.
De acordo com o presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Serrano (ex-presidente do América/RN), o Nordestão utilizaria 19 datas (15 na fase classificatória e mais quatro na semifinal e final). Para isso, a CBF cederia as 10 datas da Copa Sul-Americana (entre 11 de agosto e 8 de dezembro) e outras nove antes da disputa continental, possivelmente em junho, durante a Copa do Mundo.
"Os dirigentes dos 11 times presentes deliberaram a favor para fechar o acordo com a CBF. O Campeonato do Nordeste de 2001 foi o mais rentável da história da região. A volta do regional não vai atrapalhar o calendário e ainda vai salvar economicamente vários clubes", disse Serrano, que recebeu os dirigentes em seu escritório de advocacia. A empresa responsável para captar novos patrocinadores será a TopSports, a mesma de 2001. Naquela edição, a transmissão na TV aberta rendeu R$ 11 milhões. A média de público foi superior a 8 mil pagantes (a final - Bahia 3 x 1 Sport - foi assistida por 65.924 pagantes na Fonte Nova). Para este ano, a TV Esporte Interativo já demonstrou interesse.
Entre os clubes pernambucanos, apenas o Náutico mandou um representante para o encontro (o superintendente Gustavo Mendes). O presidente Berillo Júnior já articula, inclusive, uma divisão de cotas na competição. Segundo ele, o Náutico deve englobar o mesmo grupo de Sport, Bahia, Vitória, Santa Cruz e Ceará. "O que vamos discutir agora é a cota. Com todo respeito aos outros times, mas o Náutico representa bastante para a região. Em 2001, o clube arrecadou muito. Aquela receita foi importante até mesmo para o time que ganhou o Pernambucano, acabando com o jejum", completou.
O presidente do Sport, Silvio Guimarães, e o diretor de futebol do Santa Cruz, Raimundo Queiroz, alegaram não terem recebido um convite oficial. No entanto, os dois também encampam a ideia de uma reedição. "O Sport, na minha presidência, é a favor. Ganhamos muito dinheiro no Nordestão e ainda ganhamos o campeonato (em 2000). O Sport, aliás, entraria como favorito", disse o leonino. Já o tricolor optou pelo discurso ponderado. "Oficialmente, não fomos convidados. Masestamos atentos à decisão".
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