Em 1990, o pernambucano Alexandre Lopes trabalhava como mecânico, quando ficou sabendo de um leilão de veículos que seria organizado pelo governo federal sob a bandeira da caça aos privilégios e excesso de gastos públicos empunhada pelo então presidente Fernando Collor. Lopes foi ao local da venda, no bairro do Recife Antigo, e arrematou uma Kombi pick-up, que consertou e vendeu pelo dobro do preço que havia pago. Inspirado por esse primeiro lucro, ele simplesmente mudou de profissão, e hoje diz viver exclusivamente de leilões.
 Alexandre vive exclusivamente de leilões. Ele compra o carro, faz os reparos necessários e revende o veículo, com lucro de até R$ 2 mil. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press |
Aproveitando seus conhecimentos técnicos, Lopes vai aos leilões promovidos pelo Detran, prefeituras do interior e financeiras, compra os carros que considera melhores, faz alguns consertos e vende. Ele acredita ser possível ganhar entre R$ 1.500 e R$ 2.000, em média, com cada carro negociado. Isso se o investidor tomar todas as precauções, claro, para evitar surpresas desagradáveis.
O primeiro cuidado seria examinar o veículo no pátio, antes do leilão, conversar com o leiloeiro, verificar se o motor é original. De preferência, acompanhado de alguém que entenda de carros. Mesmo assim, o lucro nunca é garantido. "Não adianta dizer que sempre você vai se dar bem. Tem que ter experiência em carros, mas quem compra (em leilões) está arriscando", diz.
Lopes diz preferir os carros de leilões públicos aos das financeiras. Estes são tomados quando o proprietário está inadimplente. "Os carros de órgãos públicos são liberados de certos impostos, como o IPVA, e por isso a dívida não acaba na sua mão. Para mim, o melhor é o do Detran, já que os carros são apreendidos enquanto estavam rodando e você acaba encontrando todos em melhor estado", dá a dica.
Mesmo nos leilões públicos, entretanto, a vantagem não é garantida. Lopes diz ter três ações na justiça contra prefeituras que venderam veículos comprados anteriormente a particulares, que nunca haviam sido transferidos para a propriedade do órgão. "O resultado é que o carro rodou acumulando atraso no pagamento do IPVA. Comprei um à Prefeitura de Cortês em 2006 que tinha uma dívida de R$ 14.000 e até hoje não consegui vendê-lo", aponta. O secretário de administração de Cortês, Nei de Barros Lima, disse que conhece o caso, que acontecera na gestão anterior, mas ainda não tem o andamento do processo.