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Terceira Idade // Histórias de uma vida extraordinária
Ele não usa óculos para ler, dirige, trabalha e tem uma memória de fazer inveja na plenitude dos seus 90 anos
Marta Telles
martatelles.pe@dabr.com.br


A última quinta-feira teve uma manhã especial, diferente das outras. Mesa posta, três filhos à espera do café da manhã em família. Apenas o mais novo não participou. Tinha ido cumprir uma missão importante. Representar o pai aniversariante, que é devoto de Santa Teresinha, na missa do Convento das Carmelitas Descalças, em Camaragibe. Era o começo de um dia de celebração.

Eudes Souza Leão Pinto: agronomia como profissão e diplomacia como estilo . Foto: Cecília de Sá Pereira/DP/D.A Press
O dia em que Eudes Souza Leão Pinto completou 90 anos. Se chegar nesta idade é motivo de comemoração, alcançar os noventanos tão bem como dr. Eudes é ainda mais especial. Ele dirige, trabalha com jovens, lê sem óculos e tem uma memória invejável. Esses são alguns dos muitos detalhes na vida de uma pessoa incomum. Alguém que já esteve em todos os continentes, e , diz, em todos os países, com exceção do Nepal. Um diplomata nato, agrônomo de profissão.

Eudes Souza Leão Pinto tem um currículo extenso. Teve papel importante no desenvolvimento da agricultura em Pernambuco e no país. Foi secretário estadualde Agricultura, Indústria e Comércio, no governo de Etelvino Lins, quando apoiou cooperativas e associações rurais, expandindo o crédito rural. Também foi subsecretário do Ministério da Agricultura, em 1961, no breve período em que o Brasil adotou o parlamentarismo. "Desde criança tinha um amor muito forte pelo Brasil. Faço 90 anos como soldado da pátria", resume Eudes, que também foi o primeiro presidente do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário no governo de Castelo Branco.

Fundador da academia Pernambucana de Ciência Agronômica, Eudes sempre quis ser útil ao país, mas tinha pretensões mais simples. Acreditava que seguindo a carreira acadêmica cumpriria esse papel. "Mas acreditava que só deveria conseguir isso (ser professor) após alcançar uma idade mais avançada", contou o homem que, aos 22 anos, foi convidado para dar aula de genética geral e aplicada na Escola Superior de Agricultura. Aceitou. Passou a dar aulas no local onde entrou como 1º lugar do vestibular para o curso de engenharia agronômica três anos antes. A instituição onde estudou e ensinou por mais de 30 anos mudou de nome. Hoje é a Universidade Federal Rural de Pernambuco. Sua dedicação lhe rendeu a oportunidade de representar o estado no curso Extension Education, em 1944, nos Estados Unidos, onde permaneceu por um ano.

Além de ser professor, Eudes sonhava em viajar pelo mundo. Tinha pensado até em não casar. "Meus pais diziam muito que depois de casado o marido tem que ficar com a família. Ficar em casa", explicou. Mas, ao ver pela primeira vez uma moça espirituosa e muito bonita, a ideia de ficar solteiro ficou para trás. "Eu a conheci na minha formatura. Estava recebendo as pessoas que chegavam e ela quis ver a placa. Quando leu que eu era o orador da turma, disse 'só porque é Souza Leão'", contou. Ele a tirou para dançar, mas ela não quis dizer o nome, tampouco o endereço. "Só no baile do Clube Náutico que a encontrei de novo e começamos a namorar", lembrou. Quatro anos depois, Eudes casou com Aísa. "O nome dela quer dizer alegriaem grego. Ela era mesmo a expressão da alegria. Era a minha vida. Quando ela faleceu, há três anos, fiquei muito triste ", disse emocionado.

Por vontade de dr. Eudes ele teria passado o dia em que completou 90 anos no Convento dos Carmelitas, em Goiana. "Eu queria fazer um retiro espiritual, mas meus filhos resolveram fazer a missa no Salesiano, onde estudei", contou. Além da missa à noite, ele tinha um almoço com os amigos do Rotary. Durante a entrevista, o telefone não parava de tocar. Seria mesmo difícil conseguir fazer um retiro. Era dia de celebrar a chegada dos 90 anos de um homem que soube conviver com pessoas de várias crenças, religiões e posicionamentos políticos. No fim da entrevista, ele lembrou que foi amigo de Assis Chateubriand e que conseguiu fazer as pazes entre o fundador dos Diários Associados e o então governador Etelvino Lins. Foi assim que Chatô desceu do avião no Recife quando vinha de Londres e iria para o Rio Grande do Sul. A aeronave caiu em Porto Alegre e Chatô passou a chamar Eudes de "meu salvador". Eudes tem repertório de vida para contar mais um monte de histórias impressionantes. É assunto para dias de conversa. E páginas de jornal.


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Edição de domingo, 11 de julho de 2010 
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