Capas do Diario viram tese na UFPE | Diario de Pernambuco - O mais antigo jornal em circulação na América Latina
Diario de Pernambuco


Aumentar texto Diminuir texto Enviar por e-mail Comentar Imprimir
Capas do Diario viram tese na UFPE
Edição de domingo, 7 de novembro de 2010 
Professora utiliza primeira página do jornal para analisar evolução do gênero no jornalismo brasileiro, de 1825 até os dias de hoje


As capas do Diario de Pernambuco viraram tese - e não foi no curso de jornalismo. A professora Tarcísia Travassos fez delas material de estudo do seu doutorado em Linguística, na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Pesquisou as capas do jornal desde a sua fundação, em 7 de novembro de 1825, até o ano de 2005. "Em todo esse período o Diario sempre esteve antenado com as tendências mais modernas do jornalismo mundial", afirma Tarcísia. "Não só as capas, mas todo o seu conteúdo ainda tem muito a ser pesquisado, com interesse para diversas áreas, como história, antropologia, jornalismo".


Professora Tarcísia Travassos: jornais como tema de estudo Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press
A tese chama-se "A transformação histórica do gênero capa de jornal". A capa é a primeira página - espécie de vitrine da publicação. Independentemente das mudanças tecnológicas, continua a vigorar nas redações a máxima de que "não há um bom jornal sem uma boa primeira página". Tarcísia diz que escolheu o Diario por que o jornal passou por todas as fases do jornalismo impresso (tipográfico, litográfico e digital) e sempre desfrutou de importância no mercado regional e nacional. Com 185 anos de existência, o Diario assistiu - e adaptou-se - ao surgimento do telégrafo (em 1844), da televisão (1950, no Brasil) e da Era da Informática (anos 90, em todo o mundo).

Tarcísia analisou 90 capas para a sua tese. A pesquisa lhe permitiu acompanhar passo a passo toda a evolução do jornalismo impresso - da época em que as primeiras páginas traziam notícias completas, no século 19, até o período da utilização de cor e de variados recursos gráficos, no século 20 e hoje. Dividiu em quatro fases a trajetória das primeiras páginas que analisou: a primeira, "de predomínio do texto escrito", vai de 1825 a 1890. "O Diario era considerado um dos melhores jornais do Brasil e, segundo Juarez Bahia, disputava com o Jornal do Commercio (RJ) o título de 'jornal mais completo do Brasil'", afirma a professora. Juarez Bahia é autor de Jornal, história e técnica: história da imprensa brasileira (1990), obraclássica do nosso jornalismo.

A segunda fase da evolução das primeiras páginas, conforme a divisão estabelecida por Tarcísia, vai de 1890 a 1950. É o período em que, de acordo com Juarez Bahia, os jornais começam a ganhar dimensão de empresa, com renovação do parque gráfico, investimentos e elevação do consumo de papel. A terceira fase vê a valorização das imagens e da diagramação, entre 1950 e 1990. E a quarta fase é a entrada das capas na Era da Informática, a partir dos anos 90. Entre as que chamaram mais atenção da professora estão a de 30 de setembro de 1992 ("Collor fora"), sobre o impeachment do presidente, quando o jornal começa a entrar na era da página completamente colorida, e a de 14 de agosto de 2005, sobre a morte de Miguel Arraes ("Morre o homem. Fica o mito").

Tarcísia Travassos é professora da Faculdade Metropolitana do Grande Recife (FMGR). Em 2009 apresentou no Simpósio Internacional de Estudo dos Gêneros Textuais (RS) o estudo "A imagem pública de Tancredo Neves: uma análise em manchetes do Diario de Pernambuco e da Folha de S. Paulo". As primeiras páginas continuam sendo objeto de seus estudos. Agora ela espera ver a tese publicada em livro. "Não gostaria que ela ficasse restrita às bibliotecas da universidade", afirma.