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Amber e Salomé estudando
na sala de aula improvisada,
dentro deumcontêiner. Imagem: BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS |
Em uma floresta profunda, no cume de um vulcão, existe um mundo extraordinário onde tudo é possível. É o mundo mágico de Varekai que o Cirque du Soleil apresenta no Recife até o próximo fim de semana. Varekai, termo extraído da cultura cigana significa "onde quer que seja". O espetáculo reconta a história grega de Ícaro e seu voo mal-sucedido, que acaba virando uma jornada de descobertas, músicas e encanto com um guia, um vigia, uma contorcionista, dois palhaços e tantos outros personagens que vagueiam pela floresta de bambus iluminados. A equipe do Diarinho foi conhecer de perto como é o dia a dia de uma adolescente e duas crianças (das 16 que acompanham o circo nesta temporada, de diversos países) na nossa cidade. Um grande exercício de respeito às diferenças e curiosidades.
Amber Van Wijk, de 17 anos, é artista do espetáculo e foi selecionada na Bélgica, no ano passado. Apesar de estar perto dos 18 anos, ainda é tratada como criança pelo circo. Com a família distante, precisa de uma guardiã para se deslocar por cada lugar que passa. Todos os dias treina e faz show, em momentos de dança. Além disso, tem aulas dentro de contêineres que reproduzem verdadeiras salas de aula com a amiga da Geórgia, Salomé, da mesma faixa etária. "A vida dentro de um circo não é fácil, mas vale a pena se você tiver a certeza de que é realmente isso que quer. O importante é treinar muito e não parar de estudar. Gosto do que faço e tento a cada dia fazer diferente e melhor", comenta a menina que é apaixonada por ciências.
Já Benjamin Gaudais, 7, e o irmão Adrien Gaudais, 12, são da França. Na verdade, acompanham o pai que é um dos músicos do show, Laurent. Por incrível que pareça, eles não querem ser artistas de circo. Benjamin fala empolgado que quer ser piloto de fórmula 1, enquanto Adrien garante que vai investir na veterinária. Aqui no Recife, nos momentos em que não estão estudando, pegam uma prainha e aproveitam para se divertir com outros integrantes da trupe. Não é tão fácil para eles fazer amizades por aqui, a língua diferente da nossa é uma grande barreira. Ah, também o pouco tempo que ficam em cada região não permite o estreitamento de laços com crianças do local. Nesta temporada, não há dúvidas de que eles querem mesmo se divertir, mas com a firme consciência de que estudar diariamente é o caminho, ainda que em salas de aulas "diferentosas".
Bate-papo com o teacher
Legal ver que todos estão preocupados com os estudos, né? Um dos professores contratados pelo Cirque du Soleil, Louis Jean, falou rapidinho com a nossa equipe. Confira aí.
Como você fez para virar professor do Soleil?
Fiz uns testes e passei uma semana me preparando em Montreal, Canadá. Tenho quatro formações e isso é muito importante para eles. Também é preciso falar várias línguas, pois há muitas famílias, crianças e adolescentes de vários lugares do país.
E a diferença entre um circo e uma escola?
A diferença é muito grande. Numa escola é possível trabalhar com mais crianças e fazer atividades de integração. Aqui, no circo, o número é reduzido, e, em alguns casos, trabalhamos com duas ou três crianças, dependendo da língua que elas falam.
Qual o maior desafio na hora de ensinar?
Planejamento e adaptação. Para as crianças e para mim. “É importante, sendo ou não artista, estudar. Somente com o estudo é possível chegar além.”
Curiosidades
- O Cirque du Soleil foi formado a partir de um grupo de 20 artistas de rua no início de 1984, e tem sede no Canadá.
- A empresa possui artistas de 50 diferentes países.
- O Cirque du Soleil já encantou mais de 100 milhões de espectadores, em cerca de 300 cidades e em cinco continentes.
- Nesta temporada no Recife, todos os artistas estão hospedados em hotéis. Amber Van Wijk confessa que ela, assim como outros integrantes da trupe, fazem questão de enfeitar o quarto de hotel com objetos pessoais como fotos e ursinhos de pelúcia para se sentirem em casa.
Serviço:
Cirque de Soleil no Recife até 22 de abril
Ingressos: R$ 140 a R$ 395. Para as sessões de terça a quinta e domingo (20h), as entradas custam R$ 370 (setor premium), R$ 340 (setor 1), R$ 250 (setor 2) e R$ 140 (setor 3). As apresentações de sexta, sábado e domingo (16h) custam R$ 395 (setor premium), R$ 360 (setor 1), R$ 260 (setor 2), R$ 150 (setor 3). O público tem ainda a opção de pagar R$ 190 adicionais para ter acesso ao tapete vermelho, uma hora antes do espetáculo, com direito a comidas, bebidas, brindes, banheiros especiais e estacionamento exclusivo.
O circo está armado na Avenida Boa Viagem. As entradas estão à venda no site Tickets for Fun.