Diario de Pernambuco

Informática

Desafios da nova era passam pela criatividade
WESLLEY LEAL
weslleyleal.pe@dabr.com.br
Recife, quarta-feira, 16 de maio de 2012
Marcelo Tas foi uma das atrações do congresso de empreendedorismo na semana passada no Recife. Confira entrevista com o nerd
Compartilhar no Facebook  Compartilhar no Twitter Enviar por e-mail Comente a matéria Imprimir



Jornalista Marcelo Tas comenta mudanças impostas pelas redes sociais

Imagem: ROBERTO RAMOS/DP/D.A PRESS
“Boa tarde classe!”. Foi relembrando os velhos tempos como o caricato professor Tibúrcio do Programa Ra-Tim-Bum da TV Cultura, que o jornalista, ator e diretor – Marcelo Tas, abriu a palestra sobre Criatividade na Era Digital, durante o 3º Congresso Pernambucano de Empreendedorismo.

Bastante aplaudido pela plateia, Tas iniciou a palestra comentando sobre a realidade da educação hoje, distinta da sua época, e focando em iniciativas de pessoas como Arthur Clarke (homem que concebeu a ideia de enviar dispositivos ao espaço) mudaram o mundo. Parodiando sobre a perspectiva de um monólito do século 13 a.C, em relação ao iPad, Tas frisou que a inovação sempre existiu. “O fluxo de informações sempre foi presente, a diferença hoje está em como as pessoas as recebem e lidam com elas. Exemplo disso são as redes sociais – uma segunda onda de inovação, que agora bate à porta da mídia, bem como o início da internet foi para a indústria fonográfica”, comentou.

A aparência de boa gente do jornalista realmente não engana. Despido da suposta formalidade do smoking e dos óculos escuros, o apresentador do Programa CQC chegou com algumas horas de antecedência para a sua palestra, para acompanhar a programação do evento. Com um visual despojado e por que não retrô, com direito a óculos redondos dignos dos anos 1970, ele falou sobre a sua relação com as tecnologias da informação, em especial com as redes sociais, além das mudanças na perspectiva da produção jornalística integrada à internet. Confira entrevista.

Entrevista >> Marcelo Tas

Qual a sua relação com a  TI?
Eu tenho um blog hospedado no Terra, conectado às minhas redes no Facebook, que pra mim hoje é a rede social mais consistente – que me traz respostas de uma maneira relativamente organizada. E o Twitter – uma rede pra mim um pouco mais caótica – mas que me dá um tempo de resposta com o público mais rápido. Eu acredito que cada plataforma hoje tem a sua virtude. O blog é mais estável, onde eu falo mais. É o lugar em que as pessoas estão acostumadas a navegar muito tempo. E o Facebook e o Twitter que, combinados, ajudam a espalhar e melhorar a maneira de eu entender as respostas na minha rede. Vem chegando outras por aí, já estou bastante atento a outras como Google Plus, Pinterest. Não procuro ficar muito ansioso pra entrar em todas. O que mede a importância da rede é a qualidade da resposta que você tem dela.

Como é para você essa mudança do jornalismo frente às redes sociais?

Eu vejo essa nova perspectiva de maneira muito positiva. O jornalista sempre foi visto como alguém essencialmente inquestionável, controlador, alguém que procurava “editar” a realidade à sua volta, por mais que defendesse uma suposta imparcialidade. As redes sociais permitem criticar essa visão, corrigi-la, complementá-la. Para mim, a fase atual é a era mais fascinante do jornalismo. Um tempo em que, se você tiver tolerância, começa a melhorar o que faz, simplesmente pelo fato de ouvir.

Qual a importância de participar de um evento que se volta para as novas possibilidades de negócios?

Eu tenho participado de ocasiões assim nos últimos anos e fico agradecido pelos convites. Confesso que fico um pouco assustado com a importância que as pessoas dão às besteiras que eu falo [risos]. Mas quando comecei a ver que essas reflexões, que partem do meu trabalho pessoal, faziam sentido para outros setores como grandes empresas, comecei a dar palestras em vários lugares como bancos, Forças Armadas e mais recentemente, na Câmara dos Deputados. A sociedade começa a ver os setores interligados.

De que forma as novas plataformas como Facebook e Twitter podem colaborar para a criatividade e inovação?

O segredo para o uso dessas redes é saber ouvir. Alguns veículos como a TV sempre foram muito “faladores”. Dificilmente você vê o telejornal lendo uma carta no ar na história do telejornalismo. E agora isso acontece o tempo inteiro.

Qual a possibilidade que pode-se traçar hoje entre as novas tecnologias e a educação?

Esses mecanismos digitais nasceram para a educação. Essas ferramentas são veículos de compartilhamento, mais do que de informação. E é aí que entra o papel dos professores, jornalistas, empreendedores, usando essas ferramentas sem preconceito. Porque muitos deles olham para elas com receio. Muitos criticam o fato de a rede ter possibilitado uma distração maior, mas diversão por diversão, já é algo que existia antes desse boom das redes sociais. O importante é absorver essa realidade, e entender isso como uma troca das informações das pessoas que estão pensando sobre você. Pois, mesmo que você não esteja atento a isso, o seu consumidor está lá, reinventando sua marca, repercutindo de inúmeras formas o seu empreendimento. Não é uma realidade opcional. Você não adere ao Facebook. De alguma forma, você já está inserido nele, ainda que nunca tenha digitado essa palavra no seu browser. O que é importante é ter essa consciência sem preconceitos. 






Galeria de imagens


Edição do dia
Diario de Pernambuco - Clique na imagem para vê-la maior
Anteriores
Selecione a data do Diario que você deseja visualizar