| POLÍTICA | BRASIL | MUNDO | ECONOMIA | SUPERESPORTES | VIDA URBANA | VIVER | BLOGS | ESPECIAIS | SIGNOS | FLIP | IMPRESSO | IPAD |
Zé Manoel é um artista raro. Canta com voz aveludada, afinadíssimo, cheio de suingue, ao mesmo tempo que, sentado, toca piano. Compõe músicas prontas, onde o ouvinte não sente falta nem de uma vírgula. É um letrista de mão cheia, capaz de emocionar com temas batidos, e universais, como o amor e a saudade. Nunca ouviu falar de Zé Manoel? Nascido em Petrolina, morando há cinco anos no Recife, o músico ainda não tem CD. Ou não tinha até esta quinta, data do lançamento do seu primeiro disco, autointitulado. Para comemorar a estreia do disco, ele faz show a partir das 22h30, dentro do festival Pré-Amp, em palco montado na Rua da Moeda, no Recife Antigo, com entrada gratuita.
A carreira de Zé Manoel já tem quase 15 anos. Ainda criança, teve aulas de piano clássico e na adolescência passou a tocar em bares e restaurantes de Petrolina e Juazeiro, na Bahia. Fez parte de uma banda, a Matingueiros, e há cinco anos resolveu que era hora de investir mais na carreira artística. Veio morar com as irmãs no Recife e foi estudar música na Universidade Federal de Pernambuco, onde está na metade do curso de licenciatura. Achou que ia trabalhar como pianista e compositor, mas três meses em um navio de cruzeiro o fizeram despertar para o canto. “O vocalista que eu acompanhava no navio também fazia um musical e às vezes os horários com os shows coincidiam. Então eu tinha que cantar: boleros, bossa nova… o que pediam. Antes, eu só havia cantado no festival da canção Edésio Santos, no Juazeiro”, lembra.
Ao voltar da temporada de trabalho no navio, ele decidiu também ser intérprete. Lançou em 2009 um EP - formato com menos faixas que um CD - e conseguiu fazer alguns shows. No ano passado, venceu o Pré-Amp e recebeu como prêmio R$ 15 mil para gravar a sua estreia. Teve também o apoio do estúdio Carranca, e, entre julho e dezembro do ano passado, conseguiu fazer o disco todo com o dinheiro do prêmio. Ainda viajou para o Rio de Janeiro para gravar o piano no estúdio de Leo Gandelman. O álbum, que deverá ter cem cópias hoje no show e mais outras mil nas lojas até o próximo mês, foi produzido por Zé Manoel ao lado de Carlinhos Borges (do estúdio Carranca) e Albérico Júnior. Com o CD em mãos, o plano do artista para 2012 é cair na estrada. Desde dezembro ele trabalha com novo produtor, Sérgio “Pezão” Valença, que está negociando até uma turnê na Europa. Uma apresentação no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, já foi fechada, mas ainda com data indefinida. Ao que tudo indica, Zé Manoel tem uma longa estrada pela frente.
Repertório
O disco aproveitou quase todas as músicas do EP lançado em 2009. Apenas a última, Motivo número 2, ficou de fora. Às sete escolhidas do EP- que receberam novos arranjos - foram adicionadas outras sete novas composições. A maioria fala do cotidiano e do amor, resquícios do tempo que Zé Manoel morava em Petrolina. “Aqui no Recife é mais difícil ter concentração para compor. Ainda componho, mas em um ritmo menos frequente”, diz. “Já tenho até todas as músicas para o próximo álbum. Não devo falar mais tanto de amor, quero explorar outros temas”, adianta.
As influências de Zé Manoel estão bem claras no disco. A linda Valsa da ilusão faz um diálogo melódico com Eu te amo de Chico Buarque. Dorival Caymmi, outra inspiração declarada, tem seu toque em sambas como Sol das lavadeiras, com participação do Bongar. A cantora Isadora Melo, que anda chamando atenção da nova geração de compositores da cidade, canta com Zé em Marchinha. A primeira música de trabalho é Deixar partir, uma das poucas com violão, participação de Vinícius Sarmento.
Por Carolina Santos, do Diario de Pernambuco