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Os cabelos lisos e longos e o aparelho nos dentes reforçam a aura adolescente de Maria Luiza Beldi, 13 anos, uma das admiradoras de Paul McCartney da nova geração, que estará presente nos shows do próximo fim de semana no estádio do Arruda, no Recife. Não é a primeira vez que a garota assiste à performance do ex-Beatle de perto. “Foi o melhor show da minha vida. Paul transmite uma emoção especial”, garante Malu, que foi vê-lo em maio do ano passado, no Rio de Janeiro, na companhia dos pais, Bruno e Patrícia, e dos avós. “Ele interage com o público. Em Ob-la-di, Ob-la-da, Paul pede pra gente cantar e levantar as mãos. Em Dance tonight, o baterista da banda toca muito bem”, elogia Malu, já vestida com a camisa da turnê e empolgadíssima.
A jovem é uma das estudantes do Instituto Helena Lubienska que aderiu à McCartneymania. Gregório Ayres, 13, relata na maior naturalidade a experiência pessoal com “Sir” Paul McCartney. O episódio, segundo ele, se deu numa viagem à Inglaterra, dois anos atrás, quando acompanhava a irmã, Vitória, agora com 17, e um grupo de amigos na porta da cerimônia do MTV Europe Music Awards, no qual o ex-Beatle era o principal homenageado. O astro saltou da limousine, e o garoto pernambucano pediu um autógrafo num cartaz, no que foi prontamente atendido. “Vi Paul bem de pertinho, ele ficou assim ó”, mede com a mão o falante Gregório, que guarda a relíquia em casa.
Um pouco mais velho e bem mais fanático, embora de modo contido, Gabriel Veloso, 15 anos, primeiro conheceu Paul, para depois escutar os Beatles e os Wings. “Não gosto de Ringo, nem de (John) Lennon. E Harrison tinha apenas umas três obras-primas”, defende Gabriel, que admite ter passado pelo menos um ano da juventude “viciado” na banda de Liverpool. As três músicas preferidas dele são English tea, The long and winding road e Souvenir.
Outra que já nasceu ouvindo os Beatles é Mathilde Azoubel, 12, que ainda não tem ingresso comprado para o show. “Fui influenciada pelo meu pai, que viu o filme Help, na Sessão da tarde, em 1975. Guardo os pôsteres e os LP’s da coleção dele”, comenta Mathilde sobre o pai, David, médico. “Meu sonho era ver um ex-Beatle, mas já consegui pois fui ver Ringo, no Chevrolet Hall e gostei muito. Meu irmão, Walter, me colocou nas costas e Ringo acenou e sorriu para mim”, recorda ela.
Foi vendo a animação Yellow submarine que outro fã-mirim surgiu, na família Salles. O pequeno Renan, 5 anos, decorou várias músicas e insiste para ouvi-las, seja no carro, no trajeto até a escola ou em casa. “Ele pede o repertório todinho. Em 2010, meus pais foram para São Paulo, mas achavam que meu irmão era muito novo para ir, embora ele já curtisse os Beatles. Agora, vamos todos juntos”, conta a irmã, Rafaella, 12 anos, que faz contagem regressiva com as amiguinhas. Como disse o próprio Paul em entrevista a uma revista nacional, ao comentar a predileção do neto de 13 anos por suas canções: “Hoje não há mais conflito de gerações”. (Tatiana Meira)